Por que os adolescentes têm mais dificuldade para falar sobre tristeza?

Por que os adolescentes têm mais dificuldade para falar sobre tristeza?

Eles podem não ter a maturidade necessária para entender esse sentimento como um processo natural e forma de aprendizado

Quando falamos em tristeza na adolescência, a primeira coisa importante é definir esse sentimento. Para Eduardo Calbucci, professor e autor do Programa Semente, podemos colocar a tristeza no espectro das emoções desagradáveis e de baixa energia.

Nesse sentido, ela estaria em oposição à serenidade, que é uma emoção agradável (embora também de baixa energia), e à raiva, que é de alta energia (mas também desagradável).

“Basicamente, a tristeza está relacionada a uma sensação de perda. Diante disso, podemos ter duas reações distintas: tentar recuperar o que foi perdido (quando isso é possível) ou substituí-lo, colocando outra coisa no lugar”, diz Calbucci.

É certo que todos nós passaremos por adversidades na vida – como sair de um emprego, perder uma pessoa da família ou terminar um relacionamento. Isso é natural e faz parte do processo de amadurecimento. Mas, como a adolescência é a fase em que temos nossas primeiras perdas, torna-se mais difícil saber como lidar com elas e entendê-las como uma forma de aprendizado. “Adolescentes estão em fase de transição. Não é comum que eles falem sobre emoções, quaisquer que sejam – raiva, culpa, arrependimento. Muitos acham que admitir essas emoções é sinal de fraqueza”, explica o professor.

Aí entra a importância dos programas de aprendizagem socioemocional, como o Programa Semente, pois é fundamental manter um canal de diálogo com os alunos e ajudá-los a compreender esses sentimentos. “É importante mostrar que não é só ele que está vivendo aquilo, que a perda faz parte da vida e precisamos aprender a lidar com ela”, afirma Calbucci. “A tristeza tem, pelo menos, um aspecto positivo. Quando passa por uma perda, a pessoa costuma reforçar os laços afetivos com as pessoas próximas. Como se a tristeza nos ensinasse a dar valor ao que é mais importante. De um lado, é incômodo, mas, de outro, reforça laços afetivos”, diz.

Calbucci aponta também que não se deve confundir tristeza com depressão – que consiste no estado patológico da tristeza. “A escola precisa estar atenta. Se o comportamento do aluno sai do esperado, é preciso envolver a família e, se for o caso, encaminhar a um profissional especializado, como psicólogo ou psiquiatra, para fazer um diagnóstico”, afirma.

2019-06-27T17:42:50+00:00 Semente na Escola|