Como trabalhar a expressão das emoções com alunos do Ensino Médio?

Como trabalhar a expressão das emoções com alunos do Ensino Médio?

É preciso conversar sobre essas questões, entender que os sentimentos são naturais e que podemos aprender algo com eles

A adolescência é uma época de profundas transformações, em que é comum as pessoas terem mais dificuldade do que em outros momentos da vida em lidar com as emoções. “Os estudantes que cursam o Ensino Médio, em geral na faixa etária dos 15 aos 17 anos, não conseguem, muitas vezes, exprimir as próprias emoções da maneira como gostariam ou têm vergonha de expressar esses sentimentos”, diz Eduardo Calbucci, professor e um dos autores do Programa Semente.

Ele explica que os programas de aprendizagem socioemocional ensinam que as emoções, independentemente de serem agradáveis ou desagradáveis, são naturais. “Se, ao longo de séculos e séculos de evolução, as pessoas continuam sentindo medo, raiva, culpa, vergonha, tristeza, alegria, é porque essas emoções têm alguma justificativa, importância e utilidade.”

Segundo Calbucci, é importante mostrar para os jovens o que são essas emoções, como reconhecê-las, quais os seus gatilhos e em que situações elas costumam se manifestar no dia a dia. Os adolescentes também devem se questionar como esses sentimentos os ajudam ou atrapalham.

Emoções podem ser transformadas

Sentir culpa ou vergonha, por exemplo não é algo agradável, mas pode ser transformado em uma coisa positiva. “Quando a pessoa sente culpa ou vergonha, ela avalia de maneira negativa uma atitude que teve. Se isso servir de aprendizado para que aquilo não se repita, para que a pessoa não se comporte mais daquela maneira, essa emoção desagradável se transformou num ensinamento”, afirma.

Para ele, um dos desafios do Ensino Médio é tentar tirar essa dificuldade do aluno de conversar sobre essas questões. “A gente ensina o jovem a exprimir e a lidar com as emoções falando sobre elas. Fingir que elas não existem ou empurrar o problema para debaixo do tapete, definitivamente, não é melhor caminho”, finaliza o professor.

2019-11-07T12:19:04+00:00 Semente na Escola|